segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A IGNORÂNCIA por José Caria


A IGNORÂNCIA
Por José Caria

Entre os temas tabu dos nossos dias está a ignorância. Parece que falar da ignorância coloca logo quem o faz numa situação de arrogância intelectual, o que inibe muita gente de a nomear. Mas não há muita razão para se enfiar essa carapuça.
O problema é enorme e está agravar-se e a assumir novas formas, socialmente agressivas.

Acompanha outro tipo de fenómenos como o populismo, a chamada “pós-verdade”, a circulação indiferenciada de notícias falsas, e, o que é mais grave, a indiferença sobre a sua verificação. Não explica, nem é a causa de nenhum destes fenómenos, mas é sua parente próxima e faz parte da mesma família. É como se de repente se deixasse de ir ao médico, e se passasse a ir ao curandeiro.

Uso aqui uma noção utilitária de ignorância que pode ser simplista, mas que serve. Ser ignorante é não ter os instrumentos para se mover no mundo que nos rodeia, ser sujeito mais do que ser actor, não conseguir atingir o empowerment que é suposto se poder ter para se actuar conforme as circunstâncias, de modo a crescer, ser capaz, viver uma vida qualificada e tirar dela uma experiência enriquecedora, controlando-se a si próprio tanto quanto é possível, e não menosprezando as condições para se ser feliz, “habitualmente” feliz. Isto é muito Dale Carnegie, mas serve, não é preciso complicar à partida.

Percebe-se, usando esta definição, que a ignorância pode ser descrita como a pobreza, cujos efeitos e condições de superação são exactamente do mesmo tipo. A ignorância é uma forma de pobreza e o seu crescimento acentua a pobreza em geral e, mais do que a pobreza, a exclusão e a diferenciação social. É até um dos mecanismos mais eficazes para aumentar a distância entre pobres e ricos, e para estabilizar um status quo nos pobres, que, como a droga, tem efeitos de satisfação instantânea, de paraíso artificial, ou, se se quiser de “ópio do povo”. 

Faço uma distinção entre aquilo a que chamo “a antiga ignorância” e “a nova”. A antiga tem muito que ver com a baixa qualificação profissional, com a insuficiente escolaridade, com a má qualidade de muitas escolas, sem meios, sem professores preparados, com o analfabetismo funcional. É um factor do nosso atraso e ajuda a potenciar os efeitos perversos da nova ignorância, mas não a explica por si só.

Contentamo-nos muito com a diminuição estatística da antiga ignorância e isso em Portugal é mais do que compreensível. O sucesso da escola, e da escolarização, o ensino para adultos, as melhorias verificadas em disciplinas como Português e Matemática são instrumentos fundamentais, entre outras coisas, para a mobilidade social, mas, mesmo que tenhamos, como agora se diz, as gerações mais qualificadas, estamos cegos quanto ao crescimento da nova ignorância, não só em aliança e em tandem com a antiga, mas assumindo novas formas e efeitos. 

O facto de haver um modismo tecnológico e se confundir a utilização de gadgets, aliás bastante rudimentar, com um novo saber, que implica novas competências, esconde essa regra básica de que as literacias para os usar vêm do sistema escolar a montante e a possibilidade de os usar para uma melhoria social só existe a jusante se acompanhar uma evolução social que não se está a verificar. Mais do que uma evolução, há uma involução.

A antiga ignorância assentava numa carência, numa falta, a nova assenta numa ilusão. É por isso que a antiga ignorância era vista como um problema da sociedade e a nova é vista como um “progresso”, ou como uma tendência contra a qual é inútil lutar. Isso tem muito que ver com uma ideologia corrente face às novas tecnologias, em particular aquelas que têm imediatos efeitos sociais como os telemóveis, as redes sociais, e certos modos de usar os videojogos, a realidade virtual e mesmo o computador e a televisão.

O primeiro efeito nefasto dessa ideologia é a crença de que são as novas tecnologias que estão a mudar a sociedade. É o contrário. É a mudança da sociedade que potencia o uso de determinadas tecnologias, que depois acentuam os efeitos de partida. Muitas tecnologias de “contacto” — como programas de “presentificação”, que fazem as pessoas olharem para os seus telemóveis centenas de vezes por dia, e os adolescentes, na vanguarda desta nova ignorância juntamente com os seus jovens pais adultos, passarem o dia a enviarem mensagens sem qualquer conteúdo — só têm sucesso porque se deu uma deterioração acentuada das formas de sociabilidade interpessoais, substituídas por um Ersatz de presença e companhia tão efémero que tem de estar sempre a ser repetido. 

Sociedades sem relações humanas de vizinhança, de companhia e amizade, sem interacções de grupo, sem movimentos colectivos de interesse comum dependem de formas artificiais e, insisto, pobres, de relacionamento que se tornam adictivas como a droga. Não há maior punição para um adolescente do que se lhe tirar o telemóvel, e alguns dos conflitos mais graves que ocorrem hoje nas escolas estão ligados ao telemóvel que funciona como uma linha de vida.

Nada é mais significativo e deprimente do que ver numa entrada de uma escola, ou num restaurante popular, ou na rua, pessoas que estão juntas, mas que quase não se falam, e estão atentas ao telemóvel, mandando mensagens, enviando fotografias, vendo a sua página de Facebook, centenas de vezes por dia. Que vida pode sobrar?

Ainda há-de alguém convencer-me que este comportamento lá por usar tecnologias modernas representa uma vantagem e não uma patologia. Faz parte de sociedades em que deixou de haver silêncio, tempo para pensar, curiosidade de olhar para fora, gosto por actividades lentas como ler, ou ver com olhos de ver. E se olharmos para os produtos de tanta página de Facebook, de tanta mensagem, de tanto comentário não editado, de tanta “opinião” sobre tudo e todos, escritas num português macarrónico e cheio de erros, encontramos fenómenos de acantonamento, de tribalização, de radicalização, de cobardia anónima, de ajustes de contas, de bullying num mundo que tem de ser sempre excitado,
assertivo e taxativo. 

Mensagens curtas, sem argumentação, que, para terem efeito, têm de ser excessivas e taxativas.
Não é por acaso que o grande reservatório do populismo político e social nas sociedades ocidentais são as redes sociais, que, não sendo a causa do populismo, são um seu grande factor de crescimento e consolidação. São como as poças de água estagnada para os mosquitos. 

Funcionam como o lubrificante do populismo em momentos cruciais, dando-lhe uma rapidez de resposta aos eventos e condicionando o mundo exterior, com jornalistas que “emprenham” pelas redes, tanto mais quanto já não ouvem ou vêem nada fora do seu pequeno ecrã.
A crise das mediações profissionais — que retirou aos jornalistas e aos profissionais da comunicação o papel de transformarem qualitativamente os eventos em notícias, muito, aliás, por culpa própria desde a treta do “jornalismo dos cidadãos” até à divulgação não mediada de tweets e comentários — acompanha um dos aspectos mais agressivos desta nova ignorância: o ataque ao saber, ao conhecimento certificado, em nome de um igualitarismo da ignorância.

O facto de poderem escrever potencialmente para todos não significa que as suas “opiniões” — tanto mais quando pretendem ter um estatuto de idêntica qualidade ao de quem conhece as matérias sobre as quais opina, ou tem uma criatividade evidente — têm um efeito de rasoira por baixo, que se reproduzem sem qualquer verificação. Se acrescentarmos que muitos consumidores das redes sociais obtêm aí quase toda a sua informação, percebe-se os efeitos devastadores no debate público e como servem para a indústria das notícias falsas e para alicerçarem o populismo com boatos, afirmações infundadas, presunções, invenções. 

Como, na nova ignorância, se trata de uma atitude hostil ao saber e ao seu esforço, mais do que um efeito de fonte única, há uma guetização da opinião, com arregimentação entre os próximos e a diabolização dos “outros”. Ler só aquilo com que concordamos pode ser satisfatório psicologicamente, mas destrói o debate público fundamental numa sociedade democrática.

José Caria


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

LOJA SOCIAL,MONTIJO SOLIDÁRIO






Colabore na Loja Social

PROJETO DE SOLIDARIEDADE, PROJETO DE VOLUNTARIADO

Estamos a chegar ao início de 
um novo ano lectivo 

O que se afigura como mais urgente, no momento e conjuntura, é :

1. VESTUÁRIO E CALÇADO DE RAPAZ E RAPARIGA ( a partir dos 5 anos); e

2. MATERIAL ESCOLAR (mochilas,estojos,cadernos,lancheiras,canetas,lápis...).

A Câmara Municipal do Montijo, desde dezembro de 2010, ( VEREADORA MARIA CLARA SILVA) abriu a Loja Social ( que conta já com várias evoluções) um projeto direcionado para a população em situação de maior vulnerabilidade social e económica, com a finalidade de colmatar carências urgentes dos munícipes.
Os cidadãos cujo rendimento per capita seja igual ou inferior a 200 euros, mediante sinalização prévia por parte dos parceiros da Rede Social/Montijo Saudável, podem beneficiar de bens materiais novos ou usados, como mobiliário, brinquedos, material didático, eletrodomésticos, têxteis, vestuário, produtos de higiene pessoal, doados a título gratuito por entidades públicas ou privadas e por particulares.
O projeto tem ainda, como objetivo, incentivar redes de apoio social integrado de âmbito local, ativando parcerias interinstitucionais concelhias, potenciando, também, a cooperação e conjugação de esforços da comunidade em geral, em prol da promoção da igualdade de oportunidades.
Este é um projeto de solidariedade, mas também de voluntariado. Se tiver bens para doar ou vontade de dar de si aos outros tem aqui uma ótima oportunidade!
Os bens podem ser entregues ás 4.ºs feiras , das 14H às 18 h, e 5.ºs feiras, das 9h às 12.30H
Ou CONTATANDO : DDSPS Rua José Joaquim Marques, 124 ; Tel. 212327739  / Extensão 3101, 
 E-mail: dsolidariedadesaude@mun-montijo.pt .


sábado, 12 de agosto de 2017

FERNANDO CARIA


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

REABILITAÇÃO 
DA ESTRADA NACIONAL 4 

( TROÇO MONTIJO-PEGÕES)


 A 14 de Agosto de 2017 celebrou-se o dia da Cidade do Montijo e foi nesse dia que se realizou a cerimónia de assinatura da consignação da empreitada de requalificação da EN4, entre o Montijo e Pegões.

Esta ( a Estrada Nacional 4 ) já era uma obra urgente em Abril de 2016, quando foi votado em Assembleia da República a requalificação desta via. São mais de sete mil veículos que por ali circulam por dia, onze por cento dos quais, viaturas pesadas.
A última intervenção realizada data de há trinta anos atrás, e há quinze anos foi feita uma regularização da via, mas esta obra de fundo impunha-se.


António Laranjo,  Nuno Canta,  e António Miguens


Arrancou a 14 de agosto 2017, a obra de reabilitação da Estrada Nacional 4 (entre Montijo e Pegões), com a assinatura do auto de consignação da empreitada, na delegação da Junta da União das Freguesias de Pegões, em Santo Isidro de Pegões.

O consórcio de empresas constituído pela Mota Engil e pelas construções Amândio Carvalho, tem, agora, um prazo de 332 dias para a execução da obra, que representa um investimento de 3 milhões e 647 mil euros por parte da Infraestruturas de Portugal, SA.
O presidente da Infraestruturas de Portugal, António Laranjo, o presidente da Câmara Municipal do Montijo, Nuno Canta, e o presidente da Junta de Freguesia da União das Freguesias de Pegões, António Miguens, estiveram na cerimónia de assinatura e afirmaram a importância da obra para a melhoria significativa das acessibilidades e da mobilidade das populações.

“Depois do lançamento do concurso há sete meses, estamos a iniciar a obra com a consignação do auto da empreitada. A partir de hoje iniciou-se a contagem decrescente para terminar esta obra, numa estrada que precisava de uma recuperação urgente”, afirmou António Laranjo, relembrando que a Estrada Nacional 4 tem um tráfego diário na ordem dos 7000 veículos, 11 por cento dos quais são veículos pesados de mercadorias.

Desde 2014, junto do anterior Governo do PSD/CDS e do atual Governo, que a Câmara Municipal do Montijo insistiu fortemente na necessidade da reabilitação da Estrada Nacional 4, sempre com o objetivo e a ambição de “melhorar as infraestruturas viárias nacionais e municipais de forma a promover um desenvolvimento ordenado, sustentável e inclusivo”, relembrou o presidente da câmara de Montijo NUNO CANTA.

“Tal como outros investimentos públicos na rede viária que temos feito em todas as freguesias, esta obra é um bom investimento porque representa o cumprimento de um compromisso que estabelecemos com a população. Uma obra que vai permitir melhorar as condições de segurança rodoviária, de circulação e de desenvolvimento do concelho”, acrescentou Nuno Canta.

O presidente da Junta de Freguesia da União das Freguesias de Pegões, António Miguens, afirmou tratar-se de um “momento de satisfação e alegria, pois a obra de reabilitação da Estrada Nacional 4 tem sido uma pretensão das populações”.

Ao longo de 25,5 quilómetros da Estrada Nacional 4, vão ser executados trabalhos de repavimentação de todo o troço; substituição e readequação da sinalização vertical de código e de orientação; remarcação da sinalização horizontal; colocação de novos equipamentos de segurança, como as Guardas de Segurança, incluindo Dispositivos de Proteção para Motociclistas; e beneficiação dos sistemas de drenagem.

A Estrada Nacional 4 faz a ligação entre Portugal e Espanha e é uma via rodoviária estruturante e de importância fulcral para a mobilidade da população do Montijo e para a dinamização da economia local.

Recorde-se que no passado mês de janeiro 2017, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, esteve no Montijo para o lançamento da empreitada de reabilitação da EN4. Na altura, a Infraestruturas de Portugal indicou que a obra iria avançar durante o mês de agosto, num investimento de 4,5 milhões de euros.

Em março de 2016, o secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’ Oliveira Martins, tinha visitado o local e assegurado que a reabilitação da Estrada Nacional 4 era uma obra prioritária para o Governo.

Nos últimos anos, junto do anterior Governo PSD/CDS-PP e do atual Governo, a Câmara Municipal do Montijo, através do seu presidente Nuno Canta , insistiu firmemente na necessidade de beneficiação da Estrada Nacional 4, como forma de assegurar melhores condições de utilização e de segurança aos utentes desta via estruturante e de importância fulcral para o concelho do Montijo.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

POPULAÇÃO EMPREGADA 
AUMENTOU 2.2 %

População empregada aumentou 2.2%

A taxa de desemprego do 2.º trimestre de 2017 foi de 8,8%. Este valor é inferior em 1,3 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre anterior e em 2,0 p.p. ao do trimestre homólogo de 2016.
A população desempregada, estimada em 461,4 mil pessoas, registou uma diminuição trimestral de 11,9% (menos 62,5 mil), prosseguindo as diminuições trimestrais observadas desde o 2.º trimestre de 2016. Em relação ao trimestre homólogo, verificou-se uma diminuição de 17,5% (menos 97,9 mil).
A população empregada, estimada em 4 760,4 mil pessoas, verificou um acréscimo trimestral de 2,2% (mais 102,3 mil). Em relação ao trimestre homólogo, verificou-se um aumento de 3,4% (mais 157,9 mil), o maior desde o 4.º trimestre de 2013.
A taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) foi de 22,7%, menos 2,4 p.p. do que no trimestre anterior e menos 4,2 p.p. do que no trimestre homólogo de 2016. Entre os jovens dos 15 aos 34 anos, 10,8% não estavam empregados, nem em educação ou formação, o que representa uma diminuição de 1,0 p.p. face ao trimestre anterior e de 1,9 p.p. face ao homólogo.

A proporção de desempregados à procura de emprego há 12 e mais meses (longa duração) foi de 59,2%, mais 0,3 p.p. do que no trimestre anterior e menos 4,9 p.p. do que no trimestre homólogo de 2016. A taxa de subutilização do trabalho foi de 16,6%, tendo diminuído 1,6 p.p. face ao trimestre anterior e 2,7 p.p. em relação ao 2.ºtrimestre de 2016.


Livro de Reclamações Online 
já disponível

O Livro de Reclamações em formato eletrónico, que constitui uma medida do programa “SIMPLEX + 2016” e envolve a Direção-Geral do Consumidor e as entidades reguladoras dos diversos setores, já está disponível.

Aqui pode apresentar a sua reclamação e/ou solicitar informação sobre as questões relacionadas com os serviços públicos essenciais (eletricidade, gás natural, água e resíduos, comunicações eletrónicas e serviços postais).

O endereço eletrónico é https://www.livroreclamacoes.pt/inicio